Design Thinking

Vamos falar um pouco mais do SDS

Escrito por Ronaldo Zanardo

Vamos falar um pouco mais sobre SDS e projetos onde se aplica esta abordagem. Para quem ainda não conhece, o termo SDS significa “ Service Design Sprint “.

Como falamos em nosso artigo Service Design Sprints? O SDS é a aplicação do modelo Design Thinking combinando com alguns elementos do SCRUM que é uma metodologia utilizada para realizar a gestão de projetos ágeis de desenvolvimento de aplicações e sistemas. Claro que estamos sendo muito simplistas nessa breve explicação, mas a grosso modo não foge muito disso.

Queremos com esse artigo descomplicar algumas coisas e principalmente desfazer alguns pontos que temos visto em posts nas mídias sociais a respeito da junção de coisas. Não sei porque, mas as pessoas gostam de misturar metodologias, modelos, boas práticas para fazer algo, quando na verdade no nosso entendimento isso só leva a uma bagunça generalizada e pior ainda, faz com que bons modelos e boas iniciativas caiam em descrédito.

Nos sentimos na obrigação de ajudar a desfazer esses mal entendidos com posts aqui no blog, em nossos treinamentos/workshops e nos projetos. Então vamos lá!

Primeiro ponto: o SDS não é a solução de todos os problemas das empresas. Definitivamente as coisas não funcionam assim nas empresas e nós sabemos que você também sabe disso, mas tem muita gente achando que encontrou a mina de ouro, a bala de prata e todas essas coisas que associam a uma solução definitiva.

Design Thinking com abordagem em Sprints é mais uma ferramenta que pode ajudar empresas na resolução de problemas. Sem dúvida é uma abordagem inovadora e que combina diversas ferramentas e ações para que em pouco tempo se chegue a algumas possíveis soluções, mas como dissemos no primeiro post sobre esse assunto, é muito importante manter o foco no desafio proposto para o projeto e mais ainda, não iremos resolver todos os problemas da empresa, da área, mas sim um problema de cada vez. É isso mesmo! Em projetos de Service Design onde aplicamos a abordagem em Sprints, resolvemos um problema de cada vez.

Sabemos que isso pode gerar uma frustração nos clientes, mas é necessário que fique claro desde o princípio. Essa é a primeira restrição que lidamos em um projeto aplicando o SDS e para tentar minimizar essa restrição, é necessário trabalhar e suportar o cliente a identificar a principal dor ou necessidade que ele está enfrentando. Para facilitar essa definição podemos utilizar ferramentas como Rede de Influência, 5 Whys entre outras, isso ajuda a filtrar os problemas e compor o desafio que iremos resolver com a abordagem SDS.

No nosso primeiro post sobre SDS, recomendamos que um Sprint deveria ter entre 5 e 10 dias de duração. Mantemos essa recomendação após a execução de mais dois projetos aplicando essa abordagem. Menos tempo é possível, mas pode haver perda na qualidade das entregas.

Aprofundando um pouco mais e falando da composição da equipe que irá trabalhar no projeto, é recomendável ter pelo menos 8 pessoas. A composição ideal são 4 pessoas de fora da empresa (consultoria) e 4 pessoas do cliente e aplicando o conceito T-Shape, que significa misturar especialidades dentro da equipe, quanto mais diversificado melhor, mais rico será o resultado das atividades.

A nossa recomendação é que a duração máxima de um projeto SDS não ultrapasse 30 dias, ou seja os 5 ou 10 dias de trabalho da Sprint devem ser executados, bem como todo o resultado produzido pela equipe do projeto entregue dentro do período de um mês. Dessa maneira o sentimento de prontidão, coesão, sinergia e foco da equipe permanecem ligados fazendo com que o trabalho perca o mínimo de intensidade durante todo o processo.

Algo importante para compartilhar com vocês é que essa abordagem é disruptiva do ponto de vista de execução e entrega de projetos se compararmos com os demais modelos presentes no mercado, portanto durante todo o processo é possível e provável que as pessoas se sintam desconfortáveis e em alguns dias com determinadas atividades elas se sintam cansadas, isso é natural. É assim mesmo! A abordagem é muito rica, mas muito intensa! A equipe do projeto (parte consultores) precisa estar atenta na composição do Sprint e na distribuição das atividades durante os dias do ciclo de execução para assegurar que a energia dos envolvidos permaneça alta durante todo o projeto. Não é fácil, mas isso precisa ser percorrido pelo time, portanto, acredite, os resultados compensam esse esforço! Quanto mais utilizamos essa abordagem, mais constatamos o seu potencial!

Para terminar, fica o desejo de que o artigo tenha esclarecido um pouco o SDS e um pedido para vocês: fujam das soluções miraculosas ou das soluções que misturam uma série de conceitos, padrões, metodologia, para entregar um resultado. Afirmamos que não é necessário misturar tudo isso, o que precisamos perseguir é saber em que momento, onde e como aplicar as ferramentas, pois como aprendemos, não é todo parafuso que pode ser apertado por uma chave Philips!

Até o próximo post!

Sobre o autor

Ronaldo Zanardo

Profissional com 18 anos de experiência no mercado de TI, com passagem por grandes empresas como HP, C&A Modas, Deloitte, formou-se em Administração de Empresas e fez Pós-graduação em Gestão de Projetos.
Apaixonado pelo modelo Design Thinking, se formou Design Thinker pela Escola Design Thinking e Service Design pela Hivelab SP. É sócio da Innova Thinking e Co-fundador da startup RECREIO. Entusiasta das novas tecnologias e do novo mundo que está imergindo, acredita que o significado da vida é aprender e compartilhar o que se aprende com o próximo!

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