Inovação e Empreendedorismo

Inovação: – mimimi; + botar pra fazer

Escrito por Fernando Gassi

A IDEO, uma das maiores empresas de inovação do mundo, fez uma baita estudo pra responder uma pergunta que tá tirando o sono de meio mundo: quais as características de uma empresa realmente inovadora?

A principal conclusão?

A principal característica das empresas inovadoras é a habilidade de se adaptar e responder a mudança!

 

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Ah vá, sério!?

Calma, não para aí!

O estudo apontou as seis qualidades de uma empresa inovadora e adaptável:

Qualidades empresas inovadoras IDEO

Qualidades das empresasas inovadoras Imagem: Fastcodesign/ IDEO

 

  • Propósito [dá uma olhada quando tiver um tempo]
  • Experimentação
  • Empoderamento
  • Olhar para fora
  • Colaboração
  • Refinamento

Tem coisa pra caramba pra falar sobre cada um deles, mas a gente vai bater um papo sobre Experimentação.

Experimentação: experimentar novas ideias e, baseado em  evidências, tomar decisões sobre como seguir em frente.

 

Em 1995, ano em que O Dilema da Inovação foi escrito (o livro foi lançado em 1997), o autor Clayton M. Christensen afirmou que a melhor forma de encarar as tecnologias disruptivas (ou tecnologias de rompimento) é o “planejamento direcionado para a descoberta”. Ou seja: a receita de sucesso que as empresas adotam em seus mercados atuais – pesquisa extensa, planejamento cuidadoso e execução rígida – precisa dar lugar a uma abordagem baseada em hipóteses, testes e aprendizado.

Você já ouviu algo parecido em algum lugar, né?

Dezesseis anos depois, no Startup Enxuta Eric Ries diz algo parecido ao afirmar que a produtividade de uma startup não é medida em volume produzido, como na indústria, mas pelo o que ele chama de “aprendizado validado”: uma forma sistemática de descobrir, no menor tempo possível, o que os clientes querem e pelo que pagariam. Para o autor essa “sistemática” começa com o planejamento: formulação da hipótese de valor, definição das métricas de sucesso e a construção do Produto Mínimo Viável (Minimun Viable Product).

Mas para os dois autores o decreto moldador da inovação inclui, mas não se limita a:

O aprendizado começa com a ação: botar o bloco na rua, testar, validar.

Não existe hipótese de valor errada e sim:

  • [Hipótese de valor verdadeira]: Boa!

Sua solução traz valor para o usuário. Sinal verde para continuar o ciclo de aprendizado e melhorar a solução gradativamente. Afinal, você começou com o produto mínimo viável, lembra?

  • [Hipótese de valor falsa]: Boa!

Respire!

Volte duas casas.

Entenda porque o usuário não viu valor na sua solução e reformule sua hipótese com esse aprendizado.

Faça, aprenda e melhore de forma cíclica (método), rápida (ágil, menor time to market) e barata (cada rodada de aprendizado consome recursos, é preciso fôlego financeiro para recomeçar).

Reconhecidas a enorme importância, o funcionamento e as limitações de cada teoria (nenhum dos autores trata as necessidades do usuário com muito carinho), vamos admitir que o elefante branco ainda está na sala: “Eu entendo a importância da inovação, mas o que eu faço agora na minha empresa, com a minha equipe ou nas minhas atividades do dia a dia? ”

Eu adoraria ter receitas prontas do tipo “Inove já, pergunte-me como! ” ou “Os 7 passos da inovação sem erro” mas acredito que elas não existam.

Enxuga essa lágrima! Nem tudo está perdido!

Temos (nós: equipe fera que trabalha comigo e eu) visto na prática que o Design Thinking é um excelente ponto de partida. Não como uma metodologia rígida ou um amontoado de ferramentas ensinadas só no gogó. Mas uma abordagem prática, ensinada através da vivência (a.k.a. “mão na massa”), que resulta na humanização de processos e encoraja equipes a trabalhar de forma colaborativa, flexível, e focada em necessidades reais de gente que nem a gente.

E o que isso tem a ver com aprendizado, hipótese, teste, MVP e tudo mais?

Estamos falando sobre pessoas: planejamento, processo, aprendizado, solução, mercado, inovação. Tudo é feito por e para pessoas.

Logo, o Design Thinking e o Service Design (a gente fala da diferença em outro momento) enriquecem, e muito, o processo de aprendizado validado da Startup Enxuta.

Que ver só!? Da olhada uma no The Service Startup, livro bacana do Tenny Pinheiro. Ele mostra por A + B que a abordagem do Design expande o processo de aprendizagem, começando pelo entendimento do problema (dor de cabeça, treta, desafio) do ponto de vista do usuário antes de desenvolver qualquer versão primária da solução.

[Nota do autor: entender o problema que sua solução está resolvendo é muito (mas muito) mais difícil do que parece! Palavra de quem já ralou pra botar um MVP pra rodar, já bateu cabeça em Startup Weekend e conversa praticamente todo dia com alguém que teve “A ideia”.]

Além disso, ao colocar nas necessidades do usuário em primeiro lugar e estimular uma nova forma de trabalhar o Design Thinking e o Service Design entregam soluções mais completas, baseadas no conhecimento e na colaboração de todos. Aliás, essas são as bases do Design Thinking: empatia, colaboração e experimentação.

Senta, agora vem a conversa difícil.

Uma nova forma de entender as necessidades do usuário e criar soluções relevantes – de forma colaborativa, ágil e baseada em testes  – acelera sim o aprendizado e a validação de hipóteses a partir do ponto de vista de quem realmente importa: o usuário.

Mas isso não basta… Te juro!

Essas soluções precisam conhecer a luz do dia ou descansarão em paz na gaveta até aquela arrumação marota feita por quem foi obrigado a trabalhar no dia 30 de dezembro. Daí elas provavelmente seguirão para o lixo.

O que fazer?

Nesse ponto a estratégia envolve tantas variáveis que a solução é o bom e velho “depende” deve ser personalizada. Longe de ser uma lista definitiva ou uma receita de bolo, seguem alguns pontos que vão te fazer pensar no caminho até o trabalho:

  • Execução da inovação ≠ execução do dia a dia: pegar uma ideia inovadora e botar pra rodar como um projeto comum é como jogar laranja no espremedor de cana. Até deve sair suco, mas não foi para isso que ele foi projetado. Empresas bem administradas são focadas em eficiência, com departamentos especializados e valorizados pelo volume de entrega, cumprimento de metas e aversão ao risco e ao erro. A inovação não é uma terra sem lei, mas requer uma forma de pensar e agir que envolve ambiguidade, incerteza e aprendizado através da tentativa e erro. [Spoiler: com algumas adaptações, esse é o Dilema da Inovação]
  • Os gestores em níveis mais altos precisam entender a importância e a urgência da inovação. É preciso que haja uma mudança na cultura da empresa, de cima para baixo, para que as ideias e projetos possam fluir de baixo para cima.

[Nota do autor: temos visto na prática o que chamamos de “inovação de guerrilha” – iniciativas que nascem em diferentes níveis hierárquicos e seguem como projetos clandestinos, consumindo pouquíssimos recursos até atingirem alguma maturidade e serem apresentados aos gestores. Não é necessariamente uma novidade, mas valem dois questionamentos: Como posso atrair e/ou empoderar mais profissionais com este perfil? O que é preciso fazer para institucionalizar a inovação de guerrilha? ]

  • Você é criativo. Com a melhor das intenções, talvez tenham mentido para você ao longo da sua vida escolar. Sua experiência profissional e conhecimentos acadêmicos valem muito, mas você pode contribuir muito além disso. Afinal, antes de ser um(a) [seu cargo ou título acadêmico aqui] você é um ser humano trabalhando por/para outros seres humanos.

O que você acha?

Vai ser muito legal bater um papo contigo! Manda uma mensagem, um convite para um café.

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Sobre o autor

Fernando Gassi

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